Por que é que à noite tens "fome de tudo"? Necessidade, stress ou hábito?

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O dia já acabou. Já comeste. E, mesmo assim, não queres apenas "mais qualquer coisa", mas preferes tudo: doce, salgado, cremoso, crocante. É precisamente nestes momentos que é útil não falar imediatamente de disciplina. Porque esta sensação à noite muitas vezes não é um sinal de que algo está errado contigo. Geralmente, juntam-se três coisas: uma necessidade real, stress acumulado e um hábito que foi aprendido ao longo de semanas ou meses.

 

Primeiro: Necessidade

Muitos subestimam o quanto a noite pode naturalmente aumentar o apetite. Em estudos laboratoriais controlados verificou-se que a fome no ser humano tende a aumentar biologicamente à noite. Mesmo quando o sono, as refeições e a rotina diária são rigorosamente controlados. Por outras palavras: o teu corpo está frequentemente mais receptivo à comida à noite do que de manhã.

Se durante o dia tens recorrido mais ao café, ao stress e ao "como mais tarde", este pico normal da noite rapidamente se transforma numa verdadeira atração. É aqui que a perspetiva inspirada na Animal-Based e Ray Peat encaixa surpreendentemente bem no dia a dia: nem sempre o frigorífico à noite é o problema. Por vezes, o verdadeiro problema é que durante o dia chegou pouca comida verdadeira, pouca proteína ou pouca energia facilmente disponível. Num estudo com jovens mulheres que frequentemente saltavam o pequeno-almoço, um pequeno-almoço mais rico em proteínas melhorou a saciedade e reduziu os lanches tardios em comparação com saltar o pequeno-almoço.

 

Segundo: Stress

A fome noturna muitas vezes não é só fome. Por vezes é também a tentativa do teu sistema nervoso de finalmente desacelerar. Depois de um dia longo e tenso, o corpo não procura perfeição, mas sim segurança, energia e tranquilidade. E é por isso que os desejos noturnos parecem tão urgentes. Num estudo verificou-se que um maior número de stress diários estava associado a mais lanches (especialmente em pessoas com uma resposta mais forte de cortisol ao stress).

Esta é uma diferença importante. Se à noite tens fome de tudo, nem sempre se trata apenas de calorias. Por vezes trata-se de alívio. Nesse caso, pouco ajuda reprimir-te interiormente e tornares-te ainda mais rígido. Muitas vezes ajuda mais estruturar o dia de forma a que o teu sistema nem entre nesse modo de alarme.

 

Terceiro: Hábito

E depois há o terceiro nível: o ritual da noite. O corpo adora padrões. Se o sofá, o início da série, a luz ténue ou o momento depois de arrumar estão todos os dias ligados à comida, o apetite acaba por surgir automaticamente. Mesmo quando biologicamente não tens muita fome. Nesse caso, o impulso não está errado. Apenas nem sempre é um sinal de "Preciso de mais comida", mas por vezes mais de "Preciso de uma transição do funcionamento para o relaxamento".

É por isso que à noite vale a pena fazer uma pergunta diferente do habitual:

Não: "Como é que suporto isto agora?",

mas:

Preciso agora de energia, tranquilidade ou simplesmente de um ritual?

De uma perspetiva de estilo de vida inspirada na Animal-Based e Ray Peat, a resposta mais sensata é muitas vezes surpreendentemente simples: comer mais cedo e de forma mais verdadeira durante o dia, em vez de tentar compensar à noite. Isso pode significar: ovos, carne de vaca, skyr ou queijo fresco, queijo ou colagénio/gelatina mais fruta madura, mel ou – se tolerares bem – produtos lácteos. Não de forma dogmática. Não perfeita. Mas de modo a que o teu corpo se sinta nutrido e não tenha de se fazer ouvir às 21h.

E se a fome à noite for realmente verdadeira, então come conscientemente em vez de distraído. Um jantar simples e bem tolerado ou um lanche claro acalma muitas vezes mais do que beliscar sem rumo. Por exemplo, queijo fresco ou iogurte com mel e frutos vermelhos, ovos com alguma fruta, queijo cottage com canela, ou uma pequena refeição Animal-Based que combine proteína e energia facilmente disponível. A diferença não está só no que comes, mas em como comes: calmamente, conscientemente, sem culpa.

Se sentires que é mais stress do que fome, então a primeira resposta pode ser outra: sair um pouco, tomar um duche quente, diminuir o brilho dos ecrãs, respirar fundo, sal e água, talvez uma bebida quente. Primeiro regular, depois decidir. Não como proibição, mas para que possas voltar a sentir o que precisas.

Às vezes ele diz: "Comeste pouco hoje."

Às vezes ele diz: "Estiveste sob pressão hoje."

E às vezes ele simplesmente diz: "É noite, e fazemos sempre assim."

Quanto melhor entenderes esta linguagem, menos terás de lutar contra ti próprio.

Com os melhores cumprimentos

A tua equipa Raw Animal

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